O Corcovado, o Redentor e uma Oração
Para contar a origem deste trabalho, preciso voltar a 2004.
O divórcio, a falência da minha empresa e uma reforma que não saía como planejado me levavam frequentemente à janela do meu apartamento. Dali, conversava com o Cristo Redentor. Foram inúmeras conversas com o meu melhor amigo. Nos momentos difíceis, minha fortaleza; nos bons, meu lugar de gratidão.
Dali aprendi a ter paciência. A olhar. Foi também dali que comecei a fotografar e, pouco a pouco, encontrei no fotojornalismo a minha profissão.
Em meio a tantas mudanças, permaneceu a fé. Meus pais, Norma e Milton, me ensinaram, ainda criança, a rezar o Pai-Nosso e a confiar no poder da oração.
Em 2008, como homenagem e agradecimento a eles, criei um livro associando dez imagens, selecionadas entre as milhares que havia feito daquela janela, às frases da oração.
Apresentar o livro na Photokina, em Colônia, uma das mais importantes feiras internacionais de fotografia e imagem, foi a primeira grande surpresa. As maiores viriam através do padre Omar Raposo. Ao apresentar o livro a ele e pedir sua bênção, recebi o convite para expô-lo na base do monumento, em comemoração aos 82 anos de sua construção.
Nesse momento, a paciência pedia lugar. Foram três anos de espera. Em julho de 2013, O Corcovado, o Redentor e uma Oração passou a fazer parte da Jornada Mundial da Juventude. Foi a primeira exposição fotográfica realizada neste espaço.
Um caminho de oração para os inúmeros fiéis que visitavam o Cristo Redentor.
Em 2026, novamente a convite do padre Omar, O Corcovado, o Redentor e uma Oração é reeditado em celebração agora aos 95 anos da construção do monumento e passa a integrar, de forma permanente, o Museu Cristo Redentor.
E, se me perguntar o que aprendi, responderei:
Tudo na vida passa.
Nada é permanente.
Só a fé.

Claudia Martini
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